O relógio de Curitiba está parado desde 2019; o dos seus fãs, não
Curitiba fica na zona America/Sao_Paulo da base de fusos horários da IANA (versão 2026e), a mesma que o seu celular e o seu computador consultam para saber que horas são: UTC−3, três horas atrás do tempo universal coordenado. O Paraná adotava horário de verão, e o último relógio que a cidade mexeu voltou uma hora na virada de 16 para 17 de fevereiro de 2019. Dois meses depois, o Decreto nº 9.772, de 25 de abril de 2019, encerrou a hora de verão em todo o território nacional. De lá para cá, Curitiba vive em UTC−3 de janeiro a dezembro.
Tem um detalhe que é só de Curitiba e que ajuda a entender por que o fim da tarde aqui parece mais longo do que na capital paulista. O fuso UTC−3 é desenhado em cima do meridiano de 45° oeste. Curitiba está a cerca de 49°16' oeste, conforme o painel do IBGE Cidades, quatro graus e pouco mais a oeste disso. Essa conta é nossa: cada grau de longitude vale 4 minutos de sol, então o meio-dia solar de Curitiba cai mais ou menos 17 minutos depois do meio-dia do relógio. É pouco, e não muda nada no seu calendário de publicações — mas é um bom resumo da ideia desta seção: o seu relógio é uma convenção, e o dos seus fãs é outra.
Porque eles mexem no relógio. Os Estados Unidos adiantam no segundo domingo de março e atrasam no primeiro domingo de novembro; Portugal, o Reino Unido, a Espanha e a Itália fazem isso no último domingo de março e no último de outubro (regras «US» e «EU» dos arquivos northamerica e europe da mesma base da IANA). E a Cidade do México, de onde a gente coordena, ficou fixa em UTC−6 pela Ley de los Husos Horarios: está sempre três horas atrás de você, em qualquer mês do ano.
| Período | Nova York e Miami | Chicago e Houston | Lisboa e Londres | Madri, Paris e Roma |
|---|---|---|---|---|
| Até 24 de outubro de 2026 | 22h às 0h | 23h à 1h | 17h às 19h | 16h às 18h |
| 25 a 31 de outubro de 2026 | 22h às 0h | 23h à 1h | 18h às 20h | 17h às 19h |
| 1º de novembro de 2026 a 13 de março de 2027 | 23h à 1h | 0h às 2h | 18h às 20h | 17h às 19h |
| 14 a 27 de março de 2027 | 22h às 0h | 23h à 1h | 18h às 20h | 17h às 19h |
| De 28 de março a 30 de outubro de 2027 | 22h às 0h | 23h à 1h | 17h às 19h | 16h às 18h |
Lisboa e Londres têm sempre a mesma hora entre si; Madri, Paris e Roma vão sempre uma hora à frente delas.
Na prática: o fã americano que abre o chat depois do jantar chega no seu fim de noite, entre as 22h e as 2h da madrugada, conforme a época do ano. O fã de Lisboa — que lê em português e não precisa de tradução — escreve entre as 17h e as 20h daqui, ou seja, no meio da sua tarde. São duas janelas que não se encostam, e nenhuma criadora dá conta de cobrir as duas sozinha e ainda gravar, editar, sair e dormir. É por isso que o chat é coberto por turnos durante as 24 horas: o que entra de madrugada é respondido do mesmo jeito.
Entre nós dois, a conta nunca muda: o seu 10h é o nosso 7h em janeiro e em julho, porque nem o Brasil nem a Cidade do México mexem mais no relógio. O que se move é o horário dos fãs, e nas semanas em que os Estados Unidos ou a Europa trocam de horário nós ajustamos com você a hora das publicações e dos envios em massa.
Quanto os fãs gastam a partir de Curitiba? Esse número não existe
Vamos ser diretos: não existe dado público e confiável de gasto em OnlyFans por cidade brasileira fora da capital paulista e do Rio de Janeiro. Para Curitiba, não existe nada. Preferimos escrever isso a inventar um número.
O OnlyFans não publica gasto por país nem por cidade. A estimativa que circula é da OnlyGuider, um buscador de perfis que distribui entre países e cidades, com um modelo próprio, a receita informada pela Fenix International, a empresa dona do OnlyFans. Fomos procurar Curitiba nos dois relatórios mais recentes e ela não está em nenhum dos dois: o OnlyFans Wrapped 2026 mede 98 grandes cidades (97 delas no ranking por habitante, as que têm pelo menos 100 mil adultos) e o OnlyFans Wrapped 2025 media 100. Do Brasil, só entram São Paulo e Rio de Janeiro.
Isso não é um detalhe: Curitiba é a 8ª cidade mais populosa do Brasil pela estimativa de 2025 do IBGE e a maior de toda a Região Sul, e mesmo assim ficou fora da conta. O que o furo mostra é o tamanho do vão entre o mercado e quem tenta medi-lo, não o tamanho do mercado de Curitiba.
O que existe é o número do país, e nós citamos como estimativa da OnlyGuider, não como dado do OnlyFans: no ano fiscal de dezembro de 2025 a novembro de 2026, os fãs conectados do Brasil gastariam US$ 109,7 milhões, 10º lugar entre 216 países e 4º nas Américas, 4,3% acima do ano anterior — o equivalente a US$ 6.672 por 10 mil adultos. Para comparar com as duas cidades brasileiras que o relatório mede: São Paulo aparece com US$ 11,90 milhões no ano fiscal de 2026 e o Rio de Janeiro com US$ 4,63 milhões. A edição de 2025, que a própria OnlyGuider marca como superada porque usava outro método, falava em US$ 193,9 milhões para o mesmo país. Quando o mesmo autor recalcula um ano e chega a pouco mais da metade do valor anterior, fica claro o quanto essas contas são frágeis.
Três ressalvas antes de usar qualquer um desses números:
- Ele mede o que pagam as pessoas que se conectam do Brasil, não o que ganham as criadoras que moram aqui — os seus assinantes podem estar em Houston, em Lisboa ou em Tóquio.
- Ele é um rateio estimado, não uma soma de notas fiscais.
- Ele não diz nada sobre quanto você vai faturar.
Por isso não prometemos renda em nenhuma página deste site, e não vamos prometer aqui.
